Profissão:
Professor (a)
Status
De acordo com uma
pesquisa realizada em 35 países no ano de 2018 pela Varkey Foundation, entidade dedicada à melhoria da educação
mundial, o Brasil encontra-se na última posição do ranking de prestígio de docentes.
Tal resultado mostra-se ainda mais alarmante se comparado ao do cenário global,
que registrou melhora na percepção do status dos professores.
Menos de um a cada dez
brasileiros (9%) pensa que os alunos respeitam seus professores em sala de
aula. Para efeito de comparação, a China é o país com melhor avaliação: 81% das
pessoas acreditam que os docentes são respeitados por seus alunos.
O levantamento também
aponta que 88% dos brasileiros consideram a profissão professor como de baixo
status – o penúltimo lugar do ranking, abaixo apenas de Israel, onde 90% dos
cidadãos pensam da mesma forma. Talvez por isso, apenas um em cada cinco
brasileiros incentivariam o filho a ser professor.
Condição
socioeconômica
Em média, o professor
dedica 47,7 horas semanais ao seu ofício. Ao analisar os salários correntes e/ou
estimativas de remuneração a curto e médio prazo, conclui-se que os professores
ganham menos que outros profissionais com ensino superior. Assim, o docente
ganharia 39% em comparação a outros profissionais.
Com estas estimativas,
29% dos professores brasileiros complementam sua renda desempenhando outras atividades
em setores como prestação serviços, empresarial ou artístico.
Condição
de trabalho: escola pública x escola privada
A atividade docente pode
ser compreendida como repetitiva, fragmentada em tarefas e submetida a intensos
ritmos de trabalho. Isto, associado à desvalorização, constantes exigências
profissionais ocasiona um fenômeno social particular do mundo ocidental: o
mal-estar docente (SOUZA; LEITE, 2011).
Aos problemas
relacionados às condições de trabalho destacam-se os baixos salários, precárias
condições de trabalho (temperatura, ruído, superlotação das salas), falta de
recursos materiais, dificuldade de participação em cursos de formação continuada,
dentre outros (SOUZA; LEITE, 2011).
Lopes e Pontes (2009)
buscam, em seu artigo, investigar a possível diferença entre as dimensões de burnout[1]
nos professores das redes pública estadual e particular. Os resultados
obtidos comprovam que os professores da rede pública estadual possuem índices
médios estatisticamente maiores em relação à exaustão emocional.
Processo
de formação
A formação de professores,
como uma ação do Estado e sua política Educacional, tem inicio no século XIX,
mais especifico no ano de 1808, com a chegada da família real ao Brasil. Segundo
Gomes (2007), entre as ações a serem executadas por D. João VI no Brasil está: criação de escolas, ensino leigo e superior.
Essas ações tendem a desencadear o processo de formação do profissional
professor.
Sobre a formação do
professor, Saviani (2009) destaca os períodos desse processo:
1.
Ensaios intermitentes de formação de professores (1827-1890). Esse período se
inicia o dispositivo da Lei das Escolas
de Primeiras Letras, que obrigava os professores a se instruir no método do
ensino mútuo, às próprias expensas; estende-se até 1890, quando prevalece o
modelo das Escolas Normais.
2.
Estabelecimento e expansão do padrão das Escolas Normais (1890-1932), cujo
marco inicial é a reforma paulista da Escola Normal tendo como anexo a
escola-modelo.
3.
Organização dos Institutos de Educação (1932- 1939), cujos marcos são as
reformas de Anísio Teixeira no Distrito Federal, em 1932, e de Fernando de
Azevedo em São Paulo, em 1933.
4.
Organização e implantação dos Cursos de Pedagogia e de Licenciatura e
consolidação do modelo das Escolas Normais (1939-1971).
5.
Substituição da Escola Normal pela Habilita-ção Específica de Magistério
(1971-1996).
6.
Advento dos Institutos Superiores de Educação, Escolas Normais Superiores e o
novo perfil do Curso de Pedagogia (1996-2006).
Todo esse processo, até
1988, acabou servindo como um auxilio e uma base para a elaboração em 1988,
juntamente com a nova constituição, do Sistema Educacional Brasileiro e em 1996
para a Lei n.º 9.394, Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que regem a
estrutura e o funcionamento do sistema educacional. A formação dos professores
é regulamentada então por esse sistema. O sistema educacional brasileiro, em
sua modalidade educação básica é dividido em
1. Educação
Infantil: duração de 4 anos, com alunos de 0 a 3 anos;
2. Pré-escola:
duração de 3 anos, com alunos de 4 a 6 anos;
3. Ensino
Fundamental: duração de 9 anos, com alunos de 6 a 14 anos;
4. Ensino
Médio: duração de 3 anos, com alunos de 15 a 17 anos;
A partir 1988 e 1996,
nesse contexto pós LDB (9.394/1996) passa a ser exigido para professores da
educação básica, independente da modalidade, formação em curso superior.
Necessidade do curso
superior expressa na LDB (9.394/96), artigo 62:
Art. 62 – A formação de docentes para atuar na
educação básica far-se-a em nível superior, em curso de licenciatura, de
graduação plena, em Universidades e institutos de educação, admitida como
formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas
quatro primeiras séries do Ensino Fundamental, a oferecida em nível médio, na
modalidade Normal.
A partir disso, segundo
autores como Borges et al (2011), Gatti (2010) os cursos de formação de
professor foram concedidos às Universidades, com os cursos de licenciatura. Os
cursos de licenciatura têm em tese o objetivo, pela legislação, de formar professores
para a educação básica (pré-escola, ensino médio, ensino profissionalizante,
educação de jovens e adultos, educação especial).
No curso de licenciatura,
independente do curso (Pedagogia, Biologia, Física, Geografia, História,
Matemática, Química, Educação-física, Letras) o aluno passa por disciplinas que
buscam: visam o como ensinar, grupo de disciplinas de Didática, Metodologia e
Práticas de Ensino; relativas a Educação Especial; para docência, como Estágio;
conhecimentos específicos da área, os conteúdos da área, os quais serviram de
base para o ensino de seus futuros alunos, auxiliados pelo livro didático e
pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). (FREITAS, 2002; GATTI, 2010)
Perfil
profissiográfico (Brasil e Mundo)
O Perfil Profissiográfico
Previdenciário – PPP, assim como é definido pela site da previdência do governo
federal, trata-se de um formulário que tem como objetivo coletar as informações
relativas ao empregado, ao emprego a
atividade que exerce, o agente nocivo ao qual está exposto, a intensidade e a
concentração do agente, exames médicos clínicos, além de dados referentes à
empresa.
Em relação a condição de
trabalho, Souza e Leite (2011) apresentam algumas condições, como: “baixos
salários; precárias condições de trabalho, com ruído e superlotação nas salas;
longas jornadas de trabalho; as angústias geradas pelas exigências socais da
atividade; a inadequação do espaço físico; o desgaste físico em permanecer em
pé por longas horas, corrigir caderno e provas sentados por longas horas; pouco
tempo de pausa e descanso.
E, em relação a saúde a
profissão pode acarretar alguns problemas como: Estresse emocional, síndrome de
burnout, e o mais se destaca é o mal-estar docente. O mal-estar docente
consiste em uma série de condições como a manifestação de sentimentos negativos
como: angústia, alienação, ansiedade, desmotivação, exaustão emocional, frieza,
insensibilidade e postura desumanizada. (SOUZA e LEITE, 2011)
Referências
Bibliografia
BORGES, M. C.; AQUINO, O. F. ; PUENTES, R. V. Formação
de professores no Brasil: histórias, políticas e perspectivas. Revista
HISTEDBR On-line, v. 11, n. 42, p. 94-112, 2011.
FREITAS, H. C. L. de. et al.
Formação de professores no Brasil: 10 anos de embate entre projetos de
formação. Educação & Sociedade, 2002.
GATTI,
B. A. Formação de professores no
Brasil: características e problemas. Educação & Sociedade, v. 31, n.
113, p. 1355-1379, 2010.
GOMES,
L. 1808. São Paulo:
Planeta, 2007.
LOPES,
A. P.; PONTES, E. A. S. Síndrome de Burnout: um estudo comparativo entre
professores das redes pública estadual e particular. Revista semestral da associação brasileira de psicologia escolar e
educacional, v. 13, n. 2, p. 275-281, jul./dez. 2009.
LOUZANO,
P. et al. Quem quer ser professor?
Atratividade, seleção e formação do docente no Brasil. Estudos em avaliação
educacional, v. 21, n. 47, p. 543-568, 2010.
SAVIANI,
D. Formação de professores:
aspectos históricos e teóricos do problema no contexto brasileiro. 2009.
SOUZA,
A. N. de.; LEITE, M. de P. Condições de trabalho e suas repercussões na saúde
dos professores da educação básica no Brasil. Educação & Sociedade, Campinas, v. 32, n. 117, p. 1105-1121,
out./dez. 2011.
Artigo da Fundação Joaquim Nabuco
Sistema
Educacional do Brasil
Documento Varkey Foundation
Global teacher status index 2018
Lei
LEI
Nº 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996
Disponível
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm
Notícias
[1] Burnout é uma expressão da língua inglesa que pode significar
“perder energia”. A Síndrome de Burnout
é o reflexo do trabalho como forma de desprazer. (LOPES; PONTES, 2009)


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