sábado, 23 de novembro de 2019

Atividade: O direito de acesso à universidade e cotas raciais

O direito de acesso ao ensino superior e as cotas raciais

O direito à educação encontra-se previsto, genericamente, na redação do art. 6º da Constituição de 1988, que trata dos direitos sociais, e encontra sua regulamentação a partir do artigo 205. O art. 6º assinala que:

São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma dessa Constituição.

Nesse contexto, é importante recordar que educação pode contribuir para a desigualdade social – além de ser utilizada como critério de seleção social. A seletividade concretizada pelo sistema escolar não é feita considerando os indivíduos mais aptos intelectualmente. Na verdade, o critério básico utilizado é a origem socioeconômica dos estudantes: aqueles provenientes das famílias com níveis mais elevados têm não apenas a chance de ingressar no sistema escolar de melhor qualidade, mas, sobretudo, têm sua escolarização garantida por um tempo mais longo. (DAMASCENO, 1984). Ora, a seleção operada pelo vestibular não poderia ser diferente.

Ações afirmativas e cotas raciais: uma possibilidade de redução da desigualdade?
As cotas raciais foram implementadas pela primeira vez no do Rio de Janeiro, no ano de 2003. Como uma forma de democratizar o acesso ao ensino superior, algumas universidades do estado passaram a reservar uma porcentagem de suas vagas a alunos negros. A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e a Universidade Estadual Fluminense (UENF), por exemplo, reservaram 40% das vagas de seus vestibulares de 2003, para afrodescendentes. (DOMINGUES, 2005)


Esse ato, considerado polêmico naquele momento, foi pensado como uma ação afirmativa para ampliar ou promover o acesso de grupos de indivíduos que são ou podem ser vítimas de discriminação racial. A ideia de “ação afirmativa” passou a ser pensada pelos estados a partir de 2001, após a III Conferência Mundial contra o Racismo, Xenofobia e as Intolerâncias Correlatas (Durban, África do Sul), ocasião na qual elaborou-se uma declaração e um plano de ação. A partir disso, que deu-se a ideia das “ações afirmativas”. (DOMINGUES, 2005)
Sobre as ações afirmativas, a partir Programa Nacional de Diretos Humanos (PNHD II), Domingues (2005) explica a função e o que seria as ações afirmativas:

[...] estimular a adoção, pelos estados e municípios, de medidas de caráter compensatório que visem a eliminação da discriminação racial e a promoção da igualdade de oportunidades, tais como: ampliação do acesso dos/as afrodescendentes às universidades públicas, aos cursos profissionalizantes, às áreas de tecnologia de ponta, aos grupos e empregos públicos, inclusive cargos em comissão, de forma proporcional à sua representação no conjunto da sociedade brasileira.” (DOMINGUES, 2005, p. 167)

As cotas raciais atuam, em tese, como medidas reformistas e democratizantes, já que em sua ação buscam proporcionar maiores chances para afrodescendentes chegarem ao ensino superior. As cotas educam e mobilizam politicamente os negros, e proporcionam uma espécie de visibilidade – para, dessa forma, ir de embate aos problemas dos grupos que historicamente sofrem de discriminação negativa. (DOMINGUES, 2005)
Além disso, o sistema de cotas atua como uma tentativa de combater o racismo, pois, em caso de acentua-lo ou de ocasionar conflitos nas relações sociais– derrubar a máscara do racismo da sociedade brasileira -, há a chance de dar o primeiro passo em direção ao fim. Para exemplificar, assim como uma doença só pode ser combatida quando se iniciam os sintomas, quanto mais exacerbado forem as atitudes racistas mais fácil será combatê-las.

Existe uma fórmula para a seleção justa e adequada?
De fato, não há um consenso sobre qual seria a melhor e mais justa forma de selecionar os estudantes para ingressarem no ensino superior – há uma pluralidade de modelos. Uma (interessante) possibilidade é o sistema de avaliação seriada.
O Processo de Avaliação Seriada (PAS) foi idealizado pelo diretor do Serviço de Seleção do Vestibular da Universidade de Brasília, Lauro Morthy. Desde então, várias universidades têm adotado a avaliação seriada como uma das formas de ingresso ao ensino superior. A Universidade Estadual de Maringá (UEM) iniciou sua aplicação no ano de 2009. (PUPPIN, 2014)
O PAS-UEM destina-se a alunos regularmente matriculados em escolas de Ensino Médio, públicas ou privadas, do território nacional. Seus objetivos são ampliar as possibilidades de acesso aos cursos de graduação da UEM; estabelecer uma relação mais estreita entre a Universidade e as escolas, permitindo ações que visem a um maior aprimoramento e a uma maior interação entre ambas; selecionar os alunos candidatos, de forma gradual e sistemática, valorizando e estimulando um processo contínuo de estudo; permitir, por meio de informações detalhadas sobre o desempenho do candidato, que tanto os alunos quanto as escolas tenham a oportunidade de monitorar esse desempenho ao longo do Ensino Médio. (PUPPIN, 2014)

Universidade Estadual de Maringá, 20 de novembro de 2019
Na Universidade Estadual de Maringá, em 20 de novembro de 2019, dia da consciência negra, foi votada e aprovada a implementação das cotas raciais, pelos conselheiros do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEP). A aclamação contou com a maioria dos votos: 98 dos 144 conselheiros votaram a favor, 4 contrários, 7 se abstiveram e 35 estavam ausentes.
O local da votação, Auditório 13 do Departamento de Economia, Bloco C-34, estava com sua capacidade máxima atingida. Seu público era composto por conselheiros, servidores, alunos e docentes. Ao final, a apresentação do resultado foi aplaudida de pé e ocasionou uma onda de comemorações.
Tal euforia foi ocasionada não apenas pelo que essa ação afirmativa representa e proporcionará, mas sim pela batalha que foi vem sido travada desde 2008, uma vez que no Paraná as cotas raciais já se encontram presentes desde 2003, como no caso da Universidade Estadual de Londrina (UEL) que aprovou há 15 anos.

Podcast

Referências
BRITO, F. L. de. L. Direito ao ensino superior. Disponível em: <https://jus.com.br/pareceres/34930/direito-ao-ensino-superior>. Acesso 21 nov. 2019.
DAMASCENO, M. N. O processo de seletividade social e o vestibular. Educação em debate, Fortaleza, n. 6/7, p. 55-61, junho/1984.
DOMINGUES, Petrônio. Ações afirmativas para negros no Brasil: o início de uma reparação histórica. Revista Brasileira de Educação, n. 29, p. 164-176, 2005.
PUPPIN, L. F. O que pensam os professores sobre o processo de avaliação seriada (PAS). 2014. 25f. Monografia de Especialização (Especialização em Ensino de Ciências) – Universidade Tecnológica Federal do Paraná.

Notícia
No Dia da Consciência Negra, UEM aprova cotas raciais para vestibulares. Disponível em:<http://www.seti.pr.gov.br/Noticia/No-Dia-da-Consciencia-Negra-UEM-aprova-cotas-raciais-para-vestibulares>





sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Atividade: a utilização do meme no ensino de História


Antes de tudo, o começo: o que é um “meme”?
Com o advento da internet no mundo, no início do século XXI, a distância de contato entre duas pessoas foi drasticamente reduzida. Com uma rede interligada de dispositivos a comunicação nunca foi tão fácil.
A partir de seu boom, entre os anos 2000 e 2010, o número de usuários passou de 394 para mais de 1,8 bilhões. Como um meio fácil e rápido de contato, a internet passou a ser uma rede de troca de informações (imagens, músicas, mensagens, filmes, vídeos, livros, etc.).
Nessa era virtual que se inicia, as redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram, WhatsApp) passam a ter um lugar de destaque, uma vez que constituem um novo mundo, com linguagem própria – o neologismo “Internetês”, uma linguagem criada e utilizada no meio virtual, composto por abreviações e emoticons. Além de uma nova forma de cultura, a cultura digital ou cibercultura – os “memes” estariam inseridos neste meio.
O termo “meme”, segundo Candido e Gomes (2015), não surge no contexto da internet. Nascendo na biologia, com o etólogo Clinton Richard Dawkins. Dawkins propõe que um gene, isto é, uma sequência de DNA (ácido desoxirribonucleico), codifica uma informação (instruções genéticas) e ao replicar, estaria atuando sobre ele a seleção natural. Nesta reprodução há também uma replicação da informação contida nele. Tal replicação do gene e de sua informação, foi nomeada “meme”.
Na internet, a primeira aparição do termo foi em 1998, onde Joshua Scharter criou o Memepool, um site que reunia links virais da internet. Foi somente no início do ano 2000, que a expressão ganhou maior repercussão: no festival realizado pelo centro de pesquisas virais na internet, Contagious Media, a expressão foi utilizada pelos participantes para se referir-se a tudo que é compartilhado e espalhado na rede. Assim, o “meme” foi popularizado. (CANDIDO e GOMES, 2015)
Logo, a palavra “meme” teria duas definições apresentadas por Candido e Gomes (2015), extraídas do Dicionário da Língua Portuguesa (2003). São elas:



1.                  Unidade mínima da memória humana (análoga ao gene, na genética) que contém informação que se multiplica entre cérebros ou entre locais onde a informação é armazenada;
2.                  Na internet, texto, vídeo ou ideia de caráter humorístico que é copiado e se espalha rapidamente, geralmente com ligeiras alterações em relação à versão original [...].


A partir disso, os “memes” são criados e usados para descrever um conceito, transmitir uma ideia a partir de imagens, vídeos ou GIFs. Constituem-se por textos curtos, podendo estar ou não relacionados ao humor. Sua disseminação faz-se por meio da internet e pelas redes sociais.



A utilização do “meme” no ensino de História
A realidade da inclusão digital em nossa sociedade, principalmente entre os jovens da educação básica, traz ao professor o desafio de educar por meio da apropriação de novos recursos didáticos e midiáticos.
Dessa forma, acreditamos que os “memes” podem ser utilizados como recurso didático no ensino de História. Esta é uma válida iniciativa como maneira de trazer educadores e alunos a uma linguagem digital comum, tendo como fim a assimilação de certo conteúdo.
Ora, para compreender uma sátira é necessário saber do que ela se trata.  Assim, o conteúdo de história é inserido no “meme”.





“Memes” e II Guerra Mundial?
Apresentaremos, a seguir, possibilidades de “memes” para a elucidação de alguns pontos do conteúdo que mais atrai a atenção de alunos das diversas idades e níveis: a II Guerra Mundial (1939-1945).

A preparação e investidas por parte da Alemanha nazista confrontando os acordos estabelecidos após a I Guerra Mundial (1914-1918).












Planejada desde 1933, a invasão da União Soviética pelas tropas nazistas, chamada Operação Barbarossa, foi lançada em 22 de junho de 1941, dando início a um dos episódios mais brutais da era moderna. Todavia, o maior inimigo que o exército de Hitler teve de enfrentar foi o rigoroso inverno russo e a tática de “terra arrasada” – empregada anteriormente, com as invasões napoleônicas.


A Operação Overlord, também conhecida como “Dia D”, deu-se no dia 6 de junho de 1944 e marcou o início da liberação da França do domínio dos nazistas. O Dia D também foi extremamente importante ao criar um front ocidental de guerra, acentuando o desgaste alemão, que já lutava na Itália e no front oriental contra a União Soviética.


A Guerra chegou ao fim com a vitória dos Aliados (EUA, URSS e Reino Unido) sobre os Países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). As tropas soviéticas tiveram ação fundamental derrotando pela primeira vez o poderoso exército nazista, esmagando-o cada vez mais até atingir Berlim pelo lado Oriental. Enquanto isso, a força dos Aliados, sob comando estadunidense e britânico, derrotava os inimigos até atingir Berlim pelo lado Ocidental, em 1945. 










Por fim, uma menção:
1. Aos bombardeamentos atômicos nas cidades de Hiroshima e Nagasaki realizados pelos Estados Unidos contra o Império do Japão, durante os momentos finais da Guerra, em agosto de 1945;
2. À fracassada tentativa nazista de tomar a URSS e o encontro com o “General Frio”;
3. À Guerra do Vietnã (1955-1975);
4. Às campanhas italianas empregadas nas duas Guerras Mundiais, consideradas “oportunistas” e “voláteis”.









Referências
ANDRADE, Alessandra Michelle Alvares. A construção do conhecimento histórico a partir da produção de “memes”. In: XXIX Simpósio Nacional de História contra os preconceitos: história e democracia. Anais... Brasília, DF: UnB, 2017.

CADENA, Sílvio Ricardo Gouveia. Novos objetos para o ensino de história: os memes na sala aula. In: XII Encontro Estadual de História da ANPUH-PE. Anais... Recife, PE: UFPE, 2012.

CANDIDO, Evelyn Coutinho Rother; GOMES, N. T. Memes: uma linguagem lúdica. Revista Philologus, Ano, v. 21, 2018.

SILVA, Diego Leonardo Santana. Os memes como suporte pedagógico no ensino de história. Periferia, v. 11, n. 1, p. 162-178, 2019.

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Atividade: Podcast


O post desta semana será um pouco diferente: foi-nos proposto a elaboração de um podcast. A temática abordará a questão ambiental, acerca da emissão de dióxido de carbono, seus impactos e importância do debate na sociedade.




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