sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Atividade: a utilização do meme no ensino de História


Antes de tudo, o começo: o que é um “meme”?
Com o advento da internet no mundo, no início do século XXI, a distância de contato entre duas pessoas foi drasticamente reduzida. Com uma rede interligada de dispositivos a comunicação nunca foi tão fácil.
A partir de seu boom, entre os anos 2000 e 2010, o número de usuários passou de 394 para mais de 1,8 bilhões. Como um meio fácil e rápido de contato, a internet passou a ser uma rede de troca de informações (imagens, músicas, mensagens, filmes, vídeos, livros, etc.).
Nessa era virtual que se inicia, as redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram, WhatsApp) passam a ter um lugar de destaque, uma vez que constituem um novo mundo, com linguagem própria – o neologismo “Internetês”, uma linguagem criada e utilizada no meio virtual, composto por abreviações e emoticons. Além de uma nova forma de cultura, a cultura digital ou cibercultura – os “memes” estariam inseridos neste meio.
O termo “meme”, segundo Candido e Gomes (2015), não surge no contexto da internet. Nascendo na biologia, com o etólogo Clinton Richard Dawkins. Dawkins propõe que um gene, isto é, uma sequência de DNA (ácido desoxirribonucleico), codifica uma informação (instruções genéticas) e ao replicar, estaria atuando sobre ele a seleção natural. Nesta reprodução há também uma replicação da informação contida nele. Tal replicação do gene e de sua informação, foi nomeada “meme”.
Na internet, a primeira aparição do termo foi em 1998, onde Joshua Scharter criou o Memepool, um site que reunia links virais da internet. Foi somente no início do ano 2000, que a expressão ganhou maior repercussão: no festival realizado pelo centro de pesquisas virais na internet, Contagious Media, a expressão foi utilizada pelos participantes para se referir-se a tudo que é compartilhado e espalhado na rede. Assim, o “meme” foi popularizado. (CANDIDO e GOMES, 2015)
Logo, a palavra “meme” teria duas definições apresentadas por Candido e Gomes (2015), extraídas do Dicionário da Língua Portuguesa (2003). São elas:



1.                  Unidade mínima da memória humana (análoga ao gene, na genética) que contém informação que se multiplica entre cérebros ou entre locais onde a informação é armazenada;
2.                  Na internet, texto, vídeo ou ideia de caráter humorístico que é copiado e se espalha rapidamente, geralmente com ligeiras alterações em relação à versão original [...].


A partir disso, os “memes” são criados e usados para descrever um conceito, transmitir uma ideia a partir de imagens, vídeos ou GIFs. Constituem-se por textos curtos, podendo estar ou não relacionados ao humor. Sua disseminação faz-se por meio da internet e pelas redes sociais.



A utilização do “meme” no ensino de História
A realidade da inclusão digital em nossa sociedade, principalmente entre os jovens da educação básica, traz ao professor o desafio de educar por meio da apropriação de novos recursos didáticos e midiáticos.
Dessa forma, acreditamos que os “memes” podem ser utilizados como recurso didático no ensino de História. Esta é uma válida iniciativa como maneira de trazer educadores e alunos a uma linguagem digital comum, tendo como fim a assimilação de certo conteúdo.
Ora, para compreender uma sátira é necessário saber do que ela se trata.  Assim, o conteúdo de história é inserido no “meme”.





“Memes” e II Guerra Mundial?
Apresentaremos, a seguir, possibilidades de “memes” para a elucidação de alguns pontos do conteúdo que mais atrai a atenção de alunos das diversas idades e níveis: a II Guerra Mundial (1939-1945).

A preparação e investidas por parte da Alemanha nazista confrontando os acordos estabelecidos após a I Guerra Mundial (1914-1918).












Planejada desde 1933, a invasão da União Soviética pelas tropas nazistas, chamada Operação Barbarossa, foi lançada em 22 de junho de 1941, dando início a um dos episódios mais brutais da era moderna. Todavia, o maior inimigo que o exército de Hitler teve de enfrentar foi o rigoroso inverno russo e a tática de “terra arrasada” – empregada anteriormente, com as invasões napoleônicas.


A Operação Overlord, também conhecida como “Dia D”, deu-se no dia 6 de junho de 1944 e marcou o início da liberação da França do domínio dos nazistas. O Dia D também foi extremamente importante ao criar um front ocidental de guerra, acentuando o desgaste alemão, que já lutava na Itália e no front oriental contra a União Soviética.


A Guerra chegou ao fim com a vitória dos Aliados (EUA, URSS e Reino Unido) sobre os Países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). As tropas soviéticas tiveram ação fundamental derrotando pela primeira vez o poderoso exército nazista, esmagando-o cada vez mais até atingir Berlim pelo lado Oriental. Enquanto isso, a força dos Aliados, sob comando estadunidense e britânico, derrotava os inimigos até atingir Berlim pelo lado Ocidental, em 1945. 










Por fim, uma menção:
1. Aos bombardeamentos atômicos nas cidades de Hiroshima e Nagasaki realizados pelos Estados Unidos contra o Império do Japão, durante os momentos finais da Guerra, em agosto de 1945;
2. À fracassada tentativa nazista de tomar a URSS e o encontro com o “General Frio”;
3. À Guerra do Vietnã (1955-1975);
4. Às campanhas italianas empregadas nas duas Guerras Mundiais, consideradas “oportunistas” e “voláteis”.









Referências
ANDRADE, Alessandra Michelle Alvares. A construção do conhecimento histórico a partir da produção de “memes”. In: XXIX Simpósio Nacional de História contra os preconceitos: história e democracia. Anais... Brasília, DF: UnB, 2017.

CADENA, Sílvio Ricardo Gouveia. Novos objetos para o ensino de história: os memes na sala aula. In: XII Encontro Estadual de História da ANPUH-PE. Anais... Recife, PE: UFPE, 2012.

CANDIDO, Evelyn Coutinho Rother; GOMES, N. T. Memes: uma linguagem lúdica. Revista Philologus, Ano, v. 21, 2018.

SILVA, Diego Leonardo Santana. Os memes como suporte pedagógico no ensino de história. Periferia, v. 11, n. 1, p. 162-178, 2019.

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