Antes
de tudo, o começo: o que é um “meme”?
Com o advento da internet
no mundo, no início do século XXI, a distância de contato entre duas pessoas
foi drasticamente reduzida. Com uma rede interligada de dispositivos a
comunicação nunca foi tão fácil.
A partir de seu boom, entre os anos 2000 e 2010, o número
de usuários passou de 394 para mais de 1,8 bilhões. Como um meio fácil e rápido
de contato, a internet passou a ser uma rede de troca de informações (imagens, músicas,
mensagens, filmes, vídeos, livros, etc.).
Nessa era virtual que se
inicia, as redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram, WhatsApp) passam a ter
um lugar de destaque, uma vez que constituem um novo mundo, com linguagem própria
– o neologismo “Internetês”, uma linguagem criada e utilizada no meio virtual,
composto por abreviações e emoticons. Além de uma nova forma de cultura, a
cultura digital ou cibercultura – os “memes” estariam inseridos neste meio.
O termo “meme”, segundo
Candido e Gomes (2015), não surge no contexto da internet. Nascendo na biologia,
com o etólogo Clinton Richard Dawkins. Dawkins propõe que um gene, isto é, uma sequência
de DNA (ácido desoxirribonucleico), codifica uma informação (instruções
genéticas) e ao replicar, estaria atuando sobre ele a seleção natural. Nesta reprodução
há também uma replicação da informação contida nele. Tal replicação do gene e
de sua informação, foi nomeada “meme”.
Na internet, a primeira
aparição do termo foi em 1998, onde Joshua Scharter criou o Memepool, um site que reunia links virais da internet. Foi somente no
início do ano 2000, que a expressão ganhou maior repercussão: no festival
realizado pelo centro de pesquisas virais na internet, Contagious Media, a expressão foi utilizada pelos participantes
para se referir-se a tudo que é compartilhado e espalhado na rede. Assim, o “meme”
foi popularizado. (CANDIDO e GOMES, 2015)
Logo, a palavra “meme” teria duas definições apresentadas por
Candido e Gomes (2015), extraídas do Dicionário da Língua Portuguesa (2003). São elas:
1.
Unidade
mínima da memória humana (análoga ao gene, na genética) que contém informação
que se multiplica entre cérebros ou entre locais onde a informação é
armazenada;
2.
Na
internet, texto, vídeo ou ideia de caráter humorístico que é copiado e se
espalha rapidamente, geralmente com ligeiras alterações em relação à versão
original [...].
A partir disso, os “memes”
são criados e usados para descrever um conceito, transmitir uma ideia a partir
de imagens, vídeos ou GIFs. Constituem-se por textos curtos, podendo estar ou
não relacionados ao humor. Sua disseminação faz-se por meio da internet e pelas
redes sociais.
A
utilização do “meme” no ensino de História
A realidade da inclusão digital
em nossa sociedade, principalmente entre os jovens da educação básica, traz ao
professor o desafio de educar por meio da apropriação de novos recursos
didáticos e midiáticos.
Dessa forma, acreditamos
que os “memes” podem ser utilizados como recurso didático no ensino de História.
Esta é uma válida iniciativa como maneira de trazer educadores e alunos a uma
linguagem digital comum, tendo como fim a assimilação de certo conteúdo.
Ora, para compreender uma
sátira é necessário saber do que ela se trata. Assim, o conteúdo de história é inserido no “meme”.
“Memes”
e II Guerra Mundial?
Apresentaremos, a seguir,
possibilidades de “memes” para a elucidação de alguns pontos do conteúdo que mais
atrai a atenção de alunos das diversas idades e níveis: a II Guerra
Mundial (1939-1945).
A preparação e investidas por parte da
Alemanha nazista confrontando os acordos estabelecidos após a I Guerra Mundial (1914-1918).
Planejada
desde 1933, a invasão da União Soviética pelas tropas nazistas, chamada
Operação Barbarossa, foi lançada em 22 de junho de 1941, dando início a um dos
episódios mais brutais da era moderna. Todavia, o maior inimigo que o exército
de Hitler teve de enfrentar foi o rigoroso inverno russo e a tática de “terra
arrasada” – empregada anteriormente, com as invasões napoleônicas.
A Operação Overlord, também conhecida
como “Dia D”, deu-se no dia 6 de junho de 1944 e marcou o início da liberação
da França do domínio dos nazistas. O Dia D também foi extremamente importante
ao criar um front ocidental de guerra, acentuando o desgaste alemão, que já
lutava na Itália e no front oriental contra a União Soviética.
A Guerra chegou ao fim
com a vitória dos Aliados (EUA, URSS e Reino Unido) sobre os Países do Eixo
(Alemanha, Itália e Japão). As tropas soviéticas tiveram ação fundamental
derrotando pela primeira vez o poderoso exército nazista, esmagando-o cada vez
mais até atingir Berlim pelo lado Oriental. Enquanto isso, a força dos Aliados,
sob comando estadunidense e britânico, derrotava os inimigos até atingir Berlim
pelo lado Ocidental, em 1945.
Por fim, uma menção:
1. Aos bombardeamentos
atômicos nas cidades de Hiroshima e Nagasaki realizados pelos Estados Unidos
contra o Império do Japão, durante os momentos finais da Guerra, em agosto de 1945;
2. À fracassada tentativa nazista de tomar
a URSS e o encontro com o “General Frio”;
3. À Guerra do Vietnã (1955-1975);
4. Às campanhas italianas empregadas nas
duas Guerras Mundiais, consideradas “oportunistas” e “voláteis”.
Referências
ANDRADE, Alessandra Michelle Alvares. A
construção do conhecimento histórico a partir da produção de “memes”. In: XXIX
Simpósio Nacional de História contra os preconceitos: história e democracia. Anais... Brasília, DF: UnB, 2017.
CADENA, Sílvio Ricardo Gouveia. Novos
objetos para o ensino de história: os memes na sala aula. In: XII Encontro
Estadual de História da ANPUH-PE. Anais...
Recife, PE: UFPE, 2012.
CANDIDO, Evelyn Coutinho Rother; GOMES, N.
T. Memes: uma linguagem lúdica. Revista
Philologus, Ano, v. 21, 2018.
SILVA, Diego Leonardo Santana. Os memes como suporte pedagógico no ensino
de história. Periferia, v. 11, n. 1, p. 162-178, 2019.






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